Cultura da Convergência desvendando os segredos de Survivor
Survivor é um reality show que coloca um grupo de pessoas em um ambiente selvagem, onde eles devem competir por recompensas, imunidade e a sobrevivência final. O programa é um fenômeno mundial, que já teve mais de 40 temporadas em vários países. Mas o que faz de Survivor um sucesso tão duradouro? E o que ele revela sobre a cultura da convergência, onde as mídias tradicionais e as novas mídias se encontram e se transformam?
Uma das características de Survivor é a sua complexidade narrativa, que envolve múltiplas camadas de informação, interação e interpretação. O programa não se limita à transmissão televisiva, mas se expande por outras plataformas midiáticas, como sites oficiais, blogs, podcasts, fóruns, redes sociais, revistas e livros. Essas mídias complementam e enriquecem a experiência do espectador, que pode acessar conteúdos extras, como entrevistas, bastidores, curiosidades, spoilers e teorias. Além disso, o espectador pode participar ativamente da construção do sentido do programa, compartilhando suas opiniões, análises, críticas e preferências com outros fãs.
Essa forma de consumo midiático é típica da cultura da convergência, que segundo Henry Jenkins, é “onde as velhas e as novas mídias colidem, onde mídia corporativa e mídia alternativa se cruzam, onde o poder do produtor de mídia e o poder do consumidor interagem de maneiras imprevisíveis”. Nessa cultura, o consumidor não é mais um receptor passivo, mas um produtor ativo de significados e conteúdos. O consumidor também se torna um colaborador e um distribuidor de informações, que circulam livremente pelas redes digitais.
Survivor é um exemplo de como a cultura da convergência cria novas formas de engajamento e participação dos consumidores. O programa estimula a formação de comunidades de conhecimento, que são grupos de pessoas que se unem em torno de um interesse comum e trocam informações e opiniões sobre ele. Essas comunidades são espaços de aprendizagem coletiva, onde os membros desenvolvem habilidades de pesquisa, análise crítica, argumentação e expressão criativa. Eles também são espaços de entretenimento social, onde os membros se divertem e se identificam com outros fãs.
No capítulo 1 do livro Cultura da Convergência, Jenkins desvenda os segredos de Survivor através da análise das comunidades de conhecimento que se formaram em torno do programa. Ele mostra como esses grupos usam as novas mídias para acessar, produzir e compartilhar informações sobre o programa, criando uma narrativa coletiva que vai além da versão oficial. Ele também mostra como esses grupos desafiam e negociam com os produtores do programa, buscando influenciar nas decisões criativas e nos resultados das competições.
O texto de Jenkins é uma reflexão sobre as mudanças culturais provocadas pela convergência midiática. Ele nos convida a pensar sobre o papel dos consumidores na produção de sentido e na transformação das mídias. Ele também nos convida a pensar sobre os desafios e as oportunidades que essa nova cultura oferece para a educação, a política, a economia e a sociedade.
Autor: João Artur Izzo
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